O primeiro-sargento da Marinha Anderson de Alencar Batista, de 43 anos, foi morto por engano após ser confundido com um integrante de uma facção criminosa rival, em Cáceres. Sete suspeitos de envolvimento no crime foram capturados.
A conclusão foi apresentada pelo delegado Diego Felipe da Silva de Toledo. Segundo ele, o homicídio ocorreu em meio a uma disputa territorial entre duas facções que atuam no município.
As investigações apontam que integrantes de um dos grupos descobriram que um homem ligado à facção rival havia frequentado a residência onde Anderson estava no dia do crime.
Na madrugada de quarta-feira (30), os criminosos foram ao imóvel à procura desse homem. Ao chegarem, cortaram a fiação da cerca elétrica, fazendo o alarme disparar.
Anderson saiu para verificar o que havia acontecido e acabou confundido com o verdadeiro alvo. Um dos envolvidos efetuou o disparo que matou o militar.
“Eles confundiram o sargento da Marinha com esse indivíduo que estavam procurando”, explicou o delegado.
ORDEM DA CADEIA
Em depoimento, o suspeito apontado como executor afirmou que recebeu ordens de integrantes da facção que estavam dentro da cadeia.
Segundo o relato, ele tinha uma dívida com o grupo criminoso e recebeu a missão de matar o suposto rival para quitar o débito. O suspeito contou que tentou recusar porque nunca havia matado ninguém, mas foi ameaçado de morte.
Uma motocicleta teria sido levada até ele para que o crime fosse cometido. O suspeito seguiu com o veículo até a residência e mexeu na cerca elétrica para atrair o alvo para fora.
Ele afirmou que tentou entrar no imóvel, mas não conseguiu e chegou a fugir. Após receber novas ameaças, retornou e se escondeu em uma área de mato próxima à casa.
O executor relatou que permaneceu agachado por cerca de meia hora, observando Anderson verificar a cerca. Ao ver o militar saindo pelo portão, recebeu a ordem: “Atira, caralho”.
O suspeito se aproximou, efetuou os disparos e fugiu na motocicleta. Conforme o depoimento, o veículo chegou a apresentar uma falha durante a saída e foi abandonado posteriormente.
Depois do assassinato, integrantes da facção teriam informado que a dívida dele estava “morrida”, expressão usada para dizer que o débito havia sido quitado.
SETE CAPTURADOS
As buscas pelos envolvidos começaram logo após o crime. As polícias Civil e Militar iniciaram as diligências e, ao longo do dia, receberam o apoio da Marinha do Brasil e do Grupo Especial de Fronteira.
A troca de informações entre as equipes levou à captura dos sete suspeitos em menos de 12 horas. Entre os envolvidos estão adolescentes e um adulto.
Segundo o delegado, todos os participantes foram localizados, incluindo o executor e as pessoas que deram apoio à ação criminosa.
A Polícia Civil deverá pedir a prisão preventiva do adulto e a internação dos adolescentes. Os procedimentos serão encaminhados à Justiça, que decidirá se os suspeitos permanecerão detidos.
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