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FRAUDE MILIONÁRIA

Polícia mira fraudes em licitações após empresa receber R$ 2,38 milhões de prefeitura em MT

Investigação apura empresas de fachada, direcionamento de licitações, sobrepreço e contratos irregulares; uma das empresas recebeu cerca de R$ 2,38 milhões de prefeitura.

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Um possível esquema envolvendo fraudes em licitações e contratos públicos de dez municípios de Mato Grosso é alvo da Operação Bid Rigging, deflagrada pela Polícia Civil. Sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados aos investigados na região do Araguaia.

A apuração conduzida pela Delegacia de Ribeirão Cascalheira começou após uma requisição do Ministério Público e avançou com o recebimento de denúncias e a análise de contratos, licitações, dados fiscais, registros de empresas e informações disponíveis nos Portais da Transparência.

O material levantado colocou sob suspeita contratações realizadas em Ribeirão Cascalheira, Novo Santo Antônio, Luciara, Porto Alegre do Norte, Tesouro, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia, Alto Boa Vista, Canabrava do Norte e Santa Cruz do Xingu.

De acordo com a Polícia Civil, empresas e pessoas ligadas entre si apareciam repetidamente em contratos celebrados por diferentes prefeituras. Parte dos serviços envolvia a realização de eventos e shows, além da locação de estruturas, equipamentos de som, iluminação e geradores.

Entre as suspeitas investigadas estão o registro de empresas em nome de terceiros para esconder os verdadeiros responsáveis pelos negócios, direcionamento de licitações e contratações diretas supostamente irregulares.

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A polícia também apura possível fracionamento de despesas para evitar as exigências previstas para determinadas modalidades de contratação, cobrança de preços acima dos praticados no mercado, falsificação de documentos e ocultação da propriedade de patrimônio e recursos financeiros.

Empresa recebeu R$ 2,38 milhões

Um dos pontos que chamaram a atenção dos investigadores está em Luciara. Conforme informações obtidas pela polícia no Portal da Transparência, uma das empresas analisadas recebeu aproximadamente R$ 2,38 milhões da prefeitura somente em 2025.

A investigação encontrou ainda uma sequência de contratações diretas realizadas em períodos próximos, por meio de inexigibilidade e dispensa de licitação. Os contratos estavam relacionados principalmente a shows, eventos e fornecimento de estruturas.

Os dados agora são analisados para verificar se houve irregularidades ou fraude nas contratações.

Buscas e empresas impedidas de contratar

A Justiça autorizou sete buscas a pedido da Polícia Civil. Quatro foram cumpridas em Ribeirão Cascalheira, duas em Luciara e uma em Novo Santo Antônio.

Os policiais estiveram em imóveis residenciais e empresariais em busca de computadores, celulares, contratos, procurações, documentos relacionados a licitações e outros materiais que possam contribuir para a investigação.

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Além das buscas, seis inscrições empresariais ligadas ao núcleo investigado e seus representantes foram atingidas por medidas cautelares. Eles ficaram impedidos de participar de licitações e de celebrar contratos com o Poder Público, inclusive indiretamente ou por intermédio de terceiros.

O material recolhido durante a operação passará por análise. Dispositivos eletrônicos também poderão ter os dados extraídos e periciados mediante autorização judicial.

A Polícia Civil tenta agora determinar a participação de cada investigado, descobrir se outras pessoas faziam parte do possível esquema e identificar novos contratos ou patrimônio eventualmente relacionados às irregularidades.

“Bid Rigging”, nome escolhido para a operação, é uma expressão utilizada para designar práticas de conluio destinadas a manipular a concorrência em processos licitatórios.

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