A Polícia Federal aponta que R$ 308 milhões pagos pelo Governo de Mato Grosso em acordo com a empresa Oi teriam sido pulverizados por uma estrutura formada por 15 fundos de investimento antes de chegarem a patrimônios ligados às famílias do ex-governador Mauro Mendes (União) e do deputado estadual Fábio Garcia (União). A informação consta no relatório da Operação Heritage, deflagrada nesta quinta-feira (6).
Segundo a PF, os recursos teriam sido divididos em duas cadeias financeiras de aproximadamente R$ 154 milhões cada. Uma delas envolveria fundos ligados aos filhos de Mauro Mendes. A outra teria como cotista originário Fernando Robério de Borges Garcia, pai de Fábio Garcia.
Entre os fundos citados está o Royal Capital FIDC, que teria recebido cerca de R$ 154 milhões. Parte dos recursos teria passado por outros fundos até chegar ao London FIP, que aplicou R$ 27 milhões na aquisição de cotas da Parecis Bioenergia, empresa localizada em Diamantino e ligada, segundo a investigação, ao núcleo familiar de Mauro Mendes.
A segunda cadeia teria utilizado fundos como Golden Bird, Silver Bird, Geonix 95 e Coliseu. A PF aponta que o fundo Venture Finance FIDC teria funcionado como ponto de convergência entre as estruturas ligadas às famílias Mendes e Garcia. Cerca de R$ 33 milhões teriam chegado ao destino final por essa estrutura.
Para os investigadores, a movimentação por fundos em sequência teria servido para dificultar o rastreamento dos recursos e dar aparência de legalidade às operações. A PF afirma que o dinheiro público teria sido convertido em investimentos privados de baixa liquidez em empresas relacionadas às famílias investigadas.
A Operação Heritage investiga possíveis crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A apuração teve origem no acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso, por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), e a Oi para encerrar uma disputa tributária.
Nesta quinta-feira, a PF cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Também foram determinados bloqueios e indisponibilidade de bens de até R$ 316 milhões, além de medidas como quebra de sigilos bancário e fiscal, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre investigados.
As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam, por si só, conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.


















