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CARTAS E CONVERSAS

Mãe de Rhavenna é chamada de “mãe” por presos e teria prestado serviços ao CV, aponta investigação

Cartas e conversas analisadas na Operação Fariseus indicam que Orminda guardava valores, levava itens a detentos e recebia benefícios por atuar em favor de integrantes da facção

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Orminda Carlos de Barcelos Almeida, mãe da missionária Rhavenna Barcelos de Almeida, teria desempenhado funções de apoio a integrantes do Comando Vermelho presos em unidades de Mato Grosso, segundo documentos da investigação da Operação Fariseus. Cartas enviadas por detentos e diálogos recuperados dos aparelhos celulares indicam que ela era procurada para guardar valores, transportar itens e intermediar demandas de integrantes da facção.

Em três cartas anexadas à investigação, presos identificados como Julio, Junior e Escobar tratam Orminda como “mãe” e fazem pedidos relacionados à guarda de valores e ao transporte de objetos para dentro do sistema prisional. Segundo a investigação, os materiais e o dinheiro seriam entregues por terceiros que tinham débitos com os detentos.

Para os investigadores, o conjunto das mensagens reforça a suspeita de que Orminda não exercia apenas uma função de assistência religiosa, mas teria se tornado uma espécie de intermediária entre integrantes da facção que estavam dentro e fora das unidades prisionais.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso aponta Orminda como integrante do núcleo familiar investigado por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo o Gaeco, ela auxiliava na comunicação com presos, recebia valores e participava da movimentação de recursos atribuídos à facção.

Carro teria sido pago por integrante da facção

As conversas de 2026 também revelaram, segundo a investigação, que Orminda teria recebido benefícios em razão das atividades atribuídas a ela.

Em uma conversa de 10 de fevereiro, Rhavenna encaminha à mãe um comprovante de transferência. Ao ser questionada sobre o pagamento, ela explica que o dinheiro seria destinado à parcela de um carro e afirma que “ele mandou” o valor.

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Orminda então questiona a filha sobre o pagamento e demonstra interesse em falar diretamente com o homem apontado na investigação como responsável pelo dinheiro. Rhavenna responde que ele havia ido para a quadra e que entraria em contato quando retornasse à cela.

No diálogo, Rhavenna ainda reforça que, ao menos, o homem estaria pagando o veículo.

A investigação relaciona o episódio a Renildo Silva Rios, conhecido como “Renildo”, “Véio” ou “Velhote”, apontado como um dos fundadores e conselheiro do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, e também foi denunciado pelo Ministério Público no caso.

Visitas a líderes presos

Os diálogos também mostram, conforme a denúncia, que as visitas aos integrantes da facção faziam parte da rotina da família.

Em 27 de fevereiro de 2026, Rhavenna pede à mãe que chame o pai para que os dois façam uma visita a “Sandro Louco”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso.

Pouco mais de um mês depois, em 10 de abril, Rhavenna volta a conversar com Orminda sobre a divisão das visitas aos presídios. Segundo a investigação, ela pede que a mãe converse com o pai para que os dois dividam os compromissos, pois precisava falar com Renildo naquele dia.

Já em 15 de abril, Orminda informa à filha que um detento do Raio 8 havia procurado Rhavenna pelas redes sociais para mandar uma “benção”. Segundo a investigação, “benção” era uma expressão utilizada pelo grupo para se referir ao envio de dinheiro.

“Família suja”

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Os investigadores também encontraram uma conversa de julho de 2024 na qual Orminda demonstra descontentamento com as atividades desempenhadas pela filha e afirma que a família seria “suja”.

O diálogo é apontado como um dos elementos que, na avaliação da investigação, demonstrariam que Orminda tinha conhecimento das atividades desenvolvidas por Rhavenna e da relação da família com integrantes do crime organizado.

Apesar da declaração, os investigadores sustentam que Orminda teria continuado a prestar auxílio ao grupo nos anos seguintes.

Projeto religioso teria facilitado acesso aos presos

A suspeita de atuação da família ganhou força a partir da apuração sobre o uso de um projeto de evangelização para ingressar em unidades prisionais.

Segundo a Polícia Civil, o grupo teria se aproveitado da autorização para prestar assistência religiosa e, com isso, mantido contato com integrantes do Comando Vermelho dentro dos presídios. As investigações apontam que a estrutura teria sido utilizada para troca de mensagens, movimentação de dinheiro e apoio logístico à organização.

A denúncia do Ministério Público descreve uma divisão de tarefas entre os familiares. Rhavenna é apontada como uma das principais responsáveis pela comunicação e articulação; Orminda teria auxiliado no contato com presos e na movimentação de valores; enquanto outros parentes aparecem na investigação ligados a depósitos e circulação de dinheiro.

Orminda foi alvo de busca e apreensão durante a Operação Fariseus, mas não teve prisão preventiva decretada naquela fase. Rhavenna, por outro lado, foi presa preventivamente e posteriormente denunciada por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.

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