O delegado Paulo Brambilla, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Sorriso, revelou que integrantes de uma facção criminosa estariam determinando assassinatos com base em acusações sem provas de que as vítimas pertenciam ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
As declarações foram feitas após a prisão de Robson da Silva Cruz, considerado de alta periculosidade e apontado como suspeito de envolvimento em homicídios e tentativas de homicídio registrados em Sorriso. Ele foi preso na sexta-feira (17), em uma propriedade rural de Lucas do Rio Verde.
Segundo o delegado, a facção manteria uma espécie de setor de “inteligência e investigação”, responsável por classificar pessoas como integrantes de grupos rivais por motivos banais, como gestos feitos em fotografias ou relações com outras pessoas.
“Eles classificam uma pessoa como PCC por qualquer motivo e decidem matá-la”, afirmou Brambilla.
Entre as vítimas está Leandro Perboni, conhecido como “Lia, o tatuador”. Conforme o delegado, Leandro era usuário de drogas e não tinha envolvimento com o tráfico ou com o PCC.
A investigação aponta que o tatuador teria buscado uma droga em Lucas do Rio Verde para consumo próprio e repassado uma parte para outro usuário. A atitude teria sido interpretada por integrantes do Comando Vermelho como prova de ligação com uma facção rival.
“Esses integrantes classificaram ele como membro do PCC, foram até o local e o mataram. Não existe indício algum de que ele era do PCC”, declarou o delegado.
Brambilla também afirmou que não foram encontrados indícios de envolvimento de Elismar Sales, de 47 anos, com o PCC. Ela foi assassinada dentro de uma residência no bairro Boa Esperança 2, em Sorriso.
Segundo a Polícia Militar, dois homens chegaram ao imóvel em uma Honda Biz vermelha e efetuaram vários disparos. A vítima morreu no local.
Durante as investigações do crime, um adolescente de 17 anos foi apreendido, uma mulher de 39 anos foi detida e outro suspeito morreu durante um confronto com policiais militares.
Prisão
A DHPP descobriu que Robson estava escondido em uma propriedade rural próxima à região conhecida como Prainha, em Lucas do Rio Verde. As informações foram repassadas à Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF), que organizou uma operação.
No local, os policiais encontraram o pai do investigado, que teria apresentado versões contraditórias sobre o paradeiro do filho. Durante as buscas, Robson foi localizado escondido debaixo de uma cama.
Os investigadores também apreenderam uma mochila que seria do suspeito. Dentro dela havia uma pistola carregada com oito munições, dinheiro e porções de uma substância semelhante à pasta-base de cocaína.
Além do cumprimento do mandado de prisão preventiva por homicídio qualificado, Robson foi autuado em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo.
Crimes investigados
Robson é investigado pela possível participação no assassinato de Leandro Perboni e na tentativa de homicídio contra Bráulio Alves Vieira.
Ele também é apontado como suspeito de envolvimento no homicídio de Erenildo Vage da Silva e na tentativa de homicídio contra Weverton Bernardo Aparecido Silva do Rosário.
A Polícia Civil ainda apura a possível participação do grupo na morte de Elismar Sales.
Após os procedimentos realizados em Lucas do Rio Verde, Robson deverá ser encaminhado para Sorriso, onde ficará à disposição da Justiça.
As investigações continuam para identificar os mandantes dos crimes e localizar outros envolvidos.





















