A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta terça-feira (3) a Operação “CNPJ na Cela”, mirando um esquema de fraude fiscal estruturada. Um dos pontos centrais das buscas foi a distribuidora da marca de bebidas Mansão Maromba, em Rondonópolis (212 km de Cuiabá), marca nacionalmente vinculada ao influenciador digital Toguro.
Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz) constataram que a distribuidora de bebidas abrigava a identidade visual de uma segunda empresa: a Campanha Logística.
Embora o local exibisse banners e informações sobre a comercialização de soja e milho, a polícia confirmou que a empresa não possuía silos, frota ou qualquer estrutura operacional para o agronegócio. A suspeita é de que o grupo utilizava a estrutura da Mansão Maromba para simular operações no setor de grãos, visando a redução ilegal de tributos.
O esquema “CNPJ na Cela” e o uso de “Laranjas”
O nome da operação faz alusão a uma descoberta alarmante: o grupo utilizava dados de pessoas em situação de vulnerabilidade e detentos para abrir empresas fictícias. Em um dos casos investigados, o CNPJ de uma empresa de fachada estava registrado no endereço de uma unidade prisional em Rondonópolis.
“A investigação descortinou o esquema, demonstrando que tal audácia não será tolerada. Registrar empresas em presídios é um atestado de escárnio”, afirmou o delegado João Paulo Firpo Fontes.
Participação de contadores e facções criminosas
De acordo com o titular da Defaz, delegado Walter de Melo Fonseca Júnior, a fraude contava com uma “engenharia” técnica:
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Contador sob suspeita: Um profissional contábil foi afastado por conferir aparência de legalidade às empresas inexistentes.
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Facções Criminosas: A Polícia investiga a ligação de integrantes de facções no financiamento e lavagem de dinheiro por meio desse esquema.
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Sonegação de Grãos: O setor de commodities, pilar da economia de Mato Grosso, era o principal alvo das simulações de compra e venda.
Balanço da Operação em Mato Grosso
Ao todo, o Cira-MT (força-tarefa que une Ministério Público, Sefaz, PGE e Polícia Civil) cumpre 50 ordens judiciais. As medidas foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 de Mato Grosso e incluem:
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9 mandados de busca e apreensão (Rondonópolis e Várzea Grande);
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21 suspensões de atividades econômicas de empresas fantasmas;
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Suspensão do registro profissional (CRC) do contador envolvido;
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Quebra de sigilo telemático dos articuladores.
O Secretário de Fazenda, Rogério Luiz Gallo, reforçou que a operação protege o erário público e garante a concorrência leal, impedindo que sonegadores prejudiquem os produtores e empresários que cumprem a lei.
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