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ATITUDE SUSPEITA

Delegado revela ligação de 8 minutos entre PM e suspeito de matar jovem em Cuiabá: “Fato estranho”

O delegado também fez questão de separar a conduta investigada da atuação da corporação durante as buscas pelo suspeito

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A Polícia Civil investiga a possível participação de um subtenente da Polícia Militar na apuração do feminicídio de Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, assassinada no último sábado, no bairro Alvorada, em Cuiabá. Segundo o delegado Bruno Abreu, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o militar teria mantido contato telefônico com o principal suspeito do crime justamente no período em que as forças de segurança realizavam buscas para localizá-lo.

De acordo com o delegado, a conversa foi descoberta durante as diligências realizadas para localizar o suspeito. Os investigadores encontraram um computador que estava aberto, com o WhatsApp Web conectado a uma conversa entre o investigado e o policial militar.

Bruno explicou que o subtenente teria recebido, por volta das 10h40, uma informação de que o homem estava sendo procurado por feminicídio. Pouco depois, teria tentado entrar em contato com o suspeito.

“Então, gente, infelizmente ocorreu um fato estranho, um fato pontual. Não é a Polícia Militar do Mato Grosso. Pelo contrário, estava aqui com policiais civis, militares. Nós ficamos de 7h até 3h tentando pegar o cara em flagrante”, afirmou o delegado.

Segundo ele, após receber a informação sobre a procura pelo suspeito, o policial teria realizado uma ligação que não foi atendida. Em seguida, enviou um áudio. Posteriormente, o investigado teria retornado a ligação e permanecido aproximadamente oito minutos em conversa com o subtenente.

“Esse policial militar recebe uma informação às 10h40 de que o suspeito X, a foto dele, estaria sendo procurado por feminicídio. 10h40 da manhã, todo mundo do Mato Grosso já sabia que era feminicídio. Já estava em todos os sites. Mas, tecnicamente falando, nos autos ele teve ciência às 10h40”, relatou Bruno Abreu.

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O delegado ressaltou, porém, que a Polícia Civil ainda não sabe o conteúdo da conversa entre o militar e o principal suspeito. Segundo ele, o áudio encaminhado pelo policial não foi acessado pelos investigadores.

“Imediatamente, ele faz uma ligação para o suspeito. O suspeito não atende, ele manda um áudio para o suspeito. A gente não conseguiu ver o áudio. E o suspeito retorna para ele oito minutos depois. Dez minutos depois, ele fica oito minutos no telefone com esse policial. É um subtenente da polícia. E, assim, o que ele falou a gente não sabe”, explicou.

O ponto considerado mais relevante pela investigação, segundo Abreu, é que o militar não teria comunicado imediatamente o contato ao superior hierárquico, apesar de o suspeito ser alvo de buscas de policiais civis e militares.

“Agora, o que mais nos chamou a atenção, tanto para mim, e acho que para os policiais militares que agora estão sabendo, que talvez possam até ficar indignados, como a gente ficou, é que ele não comunica o superior imediato”, afirmou.

Ainda conforme o delegado, o policial só teria informado a superiora sobre o contato horas depois, quando tomou conhecimento de que a Polícia Civil havia descoberto a comunicação.

“Ele estava em conversa com o suspeito que toda a Polícia Militar e Civil estava procurando. Eu falo toda a Polícia Militar e Civil, tá? A Polícia Militar estava toda procurando. A comandante, o nome do batalhão, estava muito empenhada em pegar o suspeito. E ele não comunicou o superior imediato dele”, disse.

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Bruno destacou que a investigação não atribui à Polícia Militar como instituição qualquer responsabilidade pelo episódio e classificou o caso como uma situação individual envolvendo o militar.

“Se esse policial é um militar, no momento que ele descobre, ao invés dele ligar para o suspeito, ele ligasse para o seu superior imediato, ele falava: ‘Ó, eu conheço esse rapaz, os dados são esses aqui, eu tenho quase certeza que esse cara está preso’”, explicou.

O delegado também fez questão de separar a conduta investigada da atuação da corporação durante as buscas pelo suspeito.

“Eu falo, eu deixo bem claro aqui: é um fato pontual do policial”, reforçou.

A Polícia Civil deverá apurar o conteúdo e as circunstâncias do contato para verificar se houve qualquer tentativa de favorecer a fuga, repassar informações ou interferir nas diligências. Até o momento, conforme ressaltado pelo delegado, não é possível afirmar o que foi tratado durante os oito minutos de conversa, nem atribuir ao policial eventual participação no feminicídio sem a conclusão das investigações.

O caso segue sob investigação da DHPP, que busca esclarecer não apenas a autoria do assassinato de Ana Cristina, mas também todas as circunstâncias que envolveram a fuga e a localização do principal suspeito.

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