Circula na internet um suposto áudio da negociação que antecedeu o confronto entre uma policial penal, de 46 anos, e um homem de 34 anos, baleado na noite da última quarta-feira (22), no bairro CPA IV, em Cuiabá. A gravação foi anexada pela agente ao conjunto de provas e reforça a tese de que ela estaria sendo vítima de uma tentativa de extorsão após perder o telefone celular.
Na conversa, um homem afirma que o aparelho estava em poder de um grupo criminoso e diz que o celular continha fotos, vídeos e documentos pessoais da proprietária. Em um dos trechos, ele afirma que os integrantes do grupo já haviam acessado todo o conteúdo do aparelho.
“Aqui no telefone tem foto, tem vídeo, tem documento, tem um monte de coisa sua aqui. Os guri já abriu aqui. Porque os guri têm acesso, eles têm computador, eles têm o processo, têm o programa, têm tudo”, diz o homem.
Durante a conversa, ele afirma que o grupo não teria interesse em prejudicar uma “trabalhadora”, mas condiciona a devolução do aparelho ao pagamento de R$ 600 em dinheiro. Em seguida, explica que enviaria apenas um motociclista para entregar o celular e receber o valor, enquanto outros integrantes permaneceriam observando à distância.
“Eu vou mandar um motoqueiro só, ele vai pegar o dinheiro com você e vai entregar o celular pra você. Os guri vão ficar olhando de longe. Ninguém quer passar a perna em ninguém”, afirma.
As novas provas surgem poucos dias após a divulgação de imagens que mostram o momento em que a policial penal efetua os disparos contra o suspeito. O vídeo levantou dúvidas sobre a versão inicialmente registrada no boletim de ocorrência, segundo a qual o homem teria tentado desarmar a agente antes de ser baleado.
Nas imagens, o motociclista chega ao endereço combinado para entregar o celular. Logo em seguida, a policial inicia a abordagem e efetua os primeiros disparos. O homem tenta fugir, mas é atingido por tiros na perna direita, nas costas, no abdômen e no tórax, em uma via pública onde havia moradores e crianças nas proximidades.
Com o surgimento do áudio e das imagens, a Polícia Civil passou a apurar separadamente dois pontos: se houve crime de extorsão durante a negociação para devolução do celular e se a reação da policial penal ocorreu dentro dos limites da legítima defesa, como ela sustenta.
O homem foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde permanece internado.
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