A Cosan informou nesta segunda-feira (29) que está avaliando alternativas relacionadas à participação que detém na Rumo, em linha com sua estratégia de redução de dívidas e ajuste da estrutura de capital. A companhia contratou o banco BTG Pactual como assessor financeiro para apoiar a análise de uma possível operação.
Segundo comunicado enviado ao mercado, o processo está em fase inicial e ainda não há definição sobre venda total ou parcial, nem sobre formato ou condições de eventual negociação. A companhia afirmou que essas medidas fazem parte da estratégia de disciplina financeira, redução do endividamento e alongamento do prazo médio da dívida.
No primeiro trimestre de 2026, a Cosan registrou prejuízo de R$ 1,58 bilhão. Apesar disso, o resultado foi melhor que no mesmo período de 2025, quando as perdas chegaram a R$ 1,79 bilhão. Além disso, a empresa vem acelerando o pagamento antecipado de dívidas. No dia 19 de junho, a Cosan anunciou operações que somaram R$ 2,8 bilhões em quitação antecipada de debêntures e notas comerciais. Com isso, o total de pré-pagamentos feitos pela companhia em 2026 já chega a R$ 8,8 bilhões.
Essa situação é importante para Mato Grosso porque, atualmente, a Cosan mantém entre 20% e 23% de participação na Rumo, uma das principais empresas do setor de logística do país e concessionária responsável pela Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo.
Resultados da Rumo
Enquanto a Cosan busca reduzir a alavancagem, a Rumo segue com resultado positivo. No primeiro trimestre de 2026, a operadora ferroviária registrou lucro líquido ajustado de R$ 266 milhões, alta de 41,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A receita operacional líquida chegou a R$ 3,2 bilhões, crescimento de 10,6%. O Ebitda ajustado foi de R$ 1,74 bilhão, com margem operacional de 53,2%.
Ferrovia de Mato Grosso
A Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, também conhecida como Ferrovia de Mato Grosso, é a primeira ferrovia estadual do Brasil construída por meio de regime de autorização do Governo do Estado.
O contrato foi assinado em 2021 entre o Governo de Mato Grosso e a Rumo. O projeto prevê 743 quilômetros de trilhos, ligando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, com ramal estratégico até Cuiabá. A malha ferroviária passa por 16 municípios mato-grossenses e se conecta à Malha Norte e à Malha Paulista, com destino final ao Porto de Santos.
Toda a obra é executada com investimento 100% privado da Rumo. Em 20 de junho de 2026, a concessionária inaugurou o primeiro trecho da ferrovia. O lote inicial tem 162 quilômetros operacionais, ligando Rondonópolis ao Terminal Multimodal da BR-070, em Dom Aquino. Nesta etapa, foram investidos R$ 5 bilhões.
O trecho concluiu a fase de testes de movimentação de cargas e deve iniciar operação comercial plena no segundo semestre de 2026. Segundo a Rumo, o terminal terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano. A previsão de conclusão dos ramais, incluindo Lucas do Rio Verde e Cuiabá, é até 2030.
Até o momento, a Cosan informou apenas que avalia alternativas para sua participação na Rumo e afirmou que ainda não há decisão formalizada sobre eventual operação. Não há informação oficial de impacto direto nas obras da Ferrovia de Mato Grosso.




















