A Justiça manteve a prisão de Hercílio Junio Freitas Cordeiro, de 22 anos, apontado pela Polícia Civil como o motorista da BMW envolvida no acidente que matou o motociclista Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, na Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada no sábado (5), após a prisão do suspeito.
Ao analisar o caso, o juiz Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto considerou regular o cumprimento do mandado de prisão preventiva e determinou o envio do procedimento para a 12ª Vara Criminal de Cuiabá, responsável pela ação principal. Caberá ao mesmo juízo decidir sobre o pedido da defesa para revogar a prisão.
Hercílio foi localizado por investigadores da Polícia Civil em uma residência no sábado, durante o cumprimento da ordem judicial.
Segundo o delegado Christian Cabral, o suspeito tentou escapar ao perceber a chegada dos policiais. Conforme o relato, ele foi até uma janela, percebeu que o imóvel estava cercado e, em seguida, abriu a porta. Ainda de acordo com o delegado, houve resistência à abordagem, sendo necessário contê-lo e utilizar algemas.
As investigações ganharam novos rumos após a análise de provas reunidas pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran). Inicialmente, o inquérito tratava o episódio como homicídio culposo na direção de veículo, com agravantes pela fuga do local e pela omissão de socorro.
Com o avanço das diligências, porém, a Polícia Civil passou a sustentar que o motorista teria assumido o risco de provocar a morte da vítima, defendendo o enquadramento por homicídio doloso.
Segundo Christian, perícias e outros elementos apontam que a BMW trafegava em velocidade que chegava a três vezes acima do limite permitido na via e que o motorista teria avançado o sinal vermelho.
O delegado afirmou ainda que existiam duas faixas livres que poderiam ter sido utilizadas para evitar o impacto, mas o condutor teria seguido na direção das motocicletas.
Após a colisão, o motorista deixou o local antes da chegada das equipes de resgate e não prestou socorro à vítima, conforme a investigação.
Outro elemento incorporado ao inquérito foi a análise da comanda da casa noturna onde Hercílio esteve antes do acidente. De acordo com o delegado, o documento indica que ele teria consumido bebida alcoólica antes de dirigir.
Com a nova interpretação da Polícia Civil, o caso passou a ser tratado como homicídio doloso por dolo eventual, quando, segundo a acusação, o motorista assume o risco de produzir o resultado fatal.
Se esse entendimento for mantido pelo Ministério Público e confirmado pela Justiça, o processo poderá ser encaminhado para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Enquanto isso, Hercílio permanece preso preventivamente por determinação judicial, aguardando a análise da 12ª Vara Criminal sobre o pedido apresentado pela defesa para revogar a medida cautelar.






















