O delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que conduziu as investigações do assassinato do advogado Renato Nery, prestou depoimento nesta quarta-feira (15) como uma das principais testemunhas de acusação no julgamento de Alex Roberto de Queiroz Silva, acusado de executar a vítima. Em entrevista à imprensa após ser ouvido pelo Tribunal do Júri, o delegado afirmou que a Polícia Civil reuniu provas suficientes para comprovar não apenas a autoria da execução, mas também o envolvimento dos mandantes do crime.
Bruno Abreu foi o delegado responsável pelo inquérito que esclareceu o homicídio de Renato Nery, morto a tiros em frente ao próprio escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, em 5 de julho de 2024. A investigação da DHPP concluiu que o crime foi encomendado em razão de uma disputa por uma propriedade rural localizada no município de Novo São Joaquim (MT).
Em entrevista à imprensa após prestar depoimento, o delegado afirmou que o inquérito conseguiu reunir aquela que considera a principal prova em crimes de mando: a comprovação do pagamento.
“No final da investigação nós conseguimos a cereja do bolo, que é a prova do mando, do pagamento. Em crime de mando é muito difícil comprovar o pagamento, e nós conseguimos comprovar o pagamento da Julinere para o Jackson, que fez a distribuição do dinheiro.”
Segundo Bruno Abreu, as investigações identificaram a movimentação financeira utilizada para remunerar os envolvidos.
“Encontramos os exatos R$ 200 mil. Não foi R$ 199 mil, nem R$ 201 mil. Foi exatamente o valor apontado na investigação.”
Embora o delegado tenha citado o valor de R$ 200 mil durante a entrevista, a denúncia apresentada pelo Ministério Público aponta que os empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos, denunciados como mandantes do homicídio, teriam desembolsado R$ 215 mil para financiar a execução do advogado.
O delegado foi enfático ao afirmar que não tem dúvidas sobre a responsabilização do casal.
“Eu tenho total certeza absoluta que Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi mandaram matar o Renato Nery. A prova do pagamento está comprovada.”
Investigação reconstruiu a fuga do executor
Durante o depoimento e na conversa com jornalistas, Bruno Abreu destacou que a investigação exigiu um extenso trabalho de análise de imagens de monitoramento para reconstruir toda a rota de fuga do executor.
Segundo ele, a equipe da DHPP conseguiu identificar o trajeto percorrido pela motocicleta utilizada no crime por meio do cruzamento de câmeras de segurança e da exclusão de rotas, o que permitiu chegar aos envolvidos.
“Não existe crime perfeito. Às vezes existe crime mal investigado por conta da complexidade. Nesse caso, focamos nas câmeras de segurança e conseguimos descobrir por onde a moto passou. Foi uma investigação muito difícil, muito complexa, que demandou muito trabalho.”
O delegado atribuiu o resultado ao trabalho da equipe responsável pelo inquérito.
“O resultado está aí. Todo mundo preso.”
Acusados aguardam julgamento
Bruno Abreu também afirmou que os empresários apontados como mandantes permaneceram em silêncio durante os interrogatórios. Segundo ele, Julinere Goulart Bastos fez declarações espontâneas quando passou a utilizar tornozeleira eletrônica, ocasião em que teria fornecido informações posteriormente confirmadas por dados encontrados em seu telefone celular.
Além de Alex Roberto de Queiroz Silva, o Ministério Público denunciou os empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos, apontados como mandantes do assassinato. Também respondem pelo crime os policiais militares Heron Teixeira Pena Vieira, Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira, acusados de intermediar, organizar e dar suporte à execução.
Todos respondem por homicídio qualificado e permanecem presos preventivamente, aguardando julgamento pelo Tribunal do Júri. Alex Roberto de Queiroz Silva é o primeiro réu a ser levado a julgamento pelo assassinato de Renato Nery.





















