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JULGAMENTO RENATO NERY

Advogado da família espera novas revelações de atirador confesso: “Isso pode até reduzir a pena”

Representante da família de Renato Nery afirma que expectativa é de condenação do réu confesso e diz que eventual colaboração pode esclarecer a atuação dos demais envolvidos no assassinato do advogado.

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A defesa da família do advogado Renato Gomes Nery afirmou que espera que o julgamento do caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, acusado de executar o criminalista, possa trazer novas revelações sobre o crime que chocou Mato Grosso. Pouco antes do início da sessão do Tribunal do Júri, nesta quarta-feira (15), o advogado Walmir Cavallieri disse que a expectativa é de uma condenação, mas ressaltou que o depoimento do réu poderá contribuir para esclarecer pontos ainda pendentes da investigação.

Alex Roberto é réu confesso e responde por homicídio qualificado pela morte de Renato Nery, executado a tiros em julho de 2024, em frente ao próprio escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá.

“Ficamos com a certeza de que tudo transcorrerá da forma mais tranquila, porque se trata de um réu confesso. Creio que não haverá grande novidade. A expectativa nossa é que ele faça algumas revelações. Isso seria importante e poderia até abrandar a quantidade de pena que ele certamente vai receber”, afirmou Cavallieri.

Acusação espera esclarecimentos

Questionado sobre a possibilidade de o acusado revelar detalhes da execução, como a atuação dos mandantes e dos intermediários, o advogado explicou que parte da movimentação financeira investigada já está documentada no processo.

“Os valores estão praticamente controlados nos autos. Foram cerca de R$ 810 mil movimentados, sendo que a promessa para o atirador era de R$ 200 mil”, declarou.

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Segundo Cavallieri, a acusação entende que a execução envolveu uma estrutura criminosa organizada e que os participantes não agiram de forma gratuita.

“A gente acha que todos esses participantes não iam participar de um crime tão violento, que resultaria em uma grande implicação, gratuitamente.”

Defesa está preparada para eventual mudança de versão

O advogado também comentou a possibilidade de Alex Roberto tentar assumir sozinho toda a responsabilidade pelo homicídio durante o julgamento.

Para Cavallieri, essa estratégia não encontra respaldo nas provas reunidas ao longo da investigação.

“A acusação está preparada para que ele não consiga assumir sozinho, mesmo porque não existe nenhuma comprovação de que ele teve qualquer contato direto com os mandantes.”

Ele destacou que, conforme as investigações, não há elementos que indiquem encontros entre o executor e os supostos mandantes antes da execução.

“O mandante saiu de uma cidade a cerca de 250 quilômetros de Cuiabá, e não existe prova de que eles tenham se encontrado antes do crime.”

Demais réus ainda aguardam julgamento

Além de Alex Roberto, outras cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público por participação no assassinato de Renato Nery, entre elas policiais militares apontados como intermediários e os supostos mandantes.

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Segundo Cavallieri, ainda não há previsão para que esses acusados sejam submetidos ao Tribunal do Júri, já que os processos continuam sendo discutidos nas instâncias superiores.

“Eles estão todos com algum tipo de recurso. Tem Tribunal de Justiça, STJ e Supremo Tribunal Federal. Ainda não sabemos até onde as defesas irão antes do julgamento popular.”

Pena pode superar 20 anos

Sobre a eventual condenação do réu confesso, o advogado afirmou que a expectativa é de uma pena elevada, considerando os crimes imputados na denúncia.

“É um crime cuja pena parte de 12 anos. Ainda há o porte de arma de uso restrito. Eu espero uma condenação em torno de 20 a 25 anos.”

Cavallieri também acredita que o julgamento será concluído ainda nesta quarta-feira, com a divulgação do veredicto pelo Conselho de Sentença.

“Creio que tudo irá ocorrer e finalizar nesta data.”

Alex Roberto de Queiroz Silva é o primeiro dos seis denunciados a ser julgado pelo assassinato de Renato Gomes Nery. Segundo o Ministério Público, ele foi o responsável pelos disparos que mataram o advogado em uma execução planejada e motivada por interesses ligados a uma disputa de terras.

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