O Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso passou a utilizar uma tecnologia inédita na rede pública do estado para atender pacientes em estado grave. A unidade é a primeira do SUS em Mato Grosso a colocar em operação equipamentos de hemodiálise contínua, capazes de realizar o procedimento por até 72 horas sem interrupção.
A tecnologia está disponível nas UTIs adulta e pediátrica do hospital, que conta com cinco máquinas — três para adultos e duas para crianças. Os equipamentos são utilizados principalmente quando os rins do paciente deixam de funcionar adequadamente e o organismo precisa de suporte para eliminar líquidos e toxinas.
Na hemodiálise convencional, o procedimento costuma durar cerca de quatro horas. Em pacientes críticos, porém, uma retirada muito rápida de líquidos e substâncias do sangue pode provocar alterações como queda da pressão arterial e agravar a instabilidade do organismo.
Com a diálise contínua, esse processo ocorre de maneira mais lenta e controlada, podendo se estender por até três dias.
“Quando você retira muito rápido sangue e toxinas do organismo, o estado de saúde do paciente grave pode piorar. Com essa máquina, é possível fazer essa retirada de forma mais lenta e segura”, explica o coordenador médico da UTI Adulta, Eduardo Gomes.
Segundo o médico, o recurso pode ser especialmente importante para pacientes que acabaram de passar por procedimentos de alta complexidade, como cirurgias cardíacas e neurocirurgias.
“O paciente no pós-operatório de uma cirurgia cardíaca, por exemplo, já passou por um procedimento complexo e de alto risco. Quando os rins não conseguem funcionar adequadamente, fazer a diálise de forma convencional pode ser mais difícil, porque ele ainda está em um momento de grande fragilidade”, afirma.
Tecnologia também auxilia pacientes com problemas pulmonares
Além de substituir temporariamente parte da função dos rins, o equipamento pode auxiliar na retirada do excesso de gás carbônico do organismo.
O recurso pode ser utilizado em pacientes com problemas pulmonares graves, quando os pulmões não conseguem eliminar adequadamente o gás, provocando seu acúmulo no sangue e agravando o quadro clínico.
A retirada ocorre de maneira contínua e controlada, ampliando as possibilidades de suporte para pacientes em estado crítico.
Para colocar os equipamentos em funcionamento, profissionais do Hospital Central passaram por treinamento técnico com a fabricante e com equipes do Einstein Hospital Israelita, responsável pela gestão da unidade pública.
“O objetivo foi padronizar o cuidado e garantir aos usuários do SUS de Mato Grosso o mesmo padrão de excelência assistencial que orienta a atuação da organização”, afirma a diretora do Hospital Central, Alessandra Bokor.
O Hospital Central é uma unidade pública que recebe pacientes do SUS encaminhados pela Central Estadual de Regulação.




















