O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) informou que irá solicitar informações à Polícia Civil para apurar a situação da clínica terapêutica onde morreu Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, em Cuiabá. O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como homicídio após a perícia identificar inconsistências na cena.
Em nota divulgada nesta terça-feira (2), o CRM-MT afirmou que tomou conhecimento do caso por meio da imprensa e que, após consultas em seu banco de dados, não encontrou registro da empresa sob os nomes que vêm sendo divulgados nas reportagens sobre o episódio.
Diante da ausência de informações cadastrais, o Conselho informou que irá oficiar a Polícia Civil para obter dados complementares da instituição, como o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), a fim de aprofundar a análise sobre a situação do estabelecimento.
Segundo o órgão, somente após o recebimento dessas informações será possível verificar quais medidas poderão ser adotadas e se há eventuais irregularidades relacionadas à atuação médica ou ao funcionamento da unidade.
O posicionamento do CRM-MT ocorre após a repercussão da morte de Alessandro Sidinei Braga, ocorrida em um centro terapêutico voltado ao atendimento de dependentes químicos e pessoas diagnosticadas com esquizofrenia, localizado no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá.
Durante as investigações, a Polícia Civil apontou uma série de indícios de irregularidades no funcionamento da instituição. Entre eles, a ausência de profissionais da área da saúde durante o atendimento da ocorrência e a informação de que um ex-interno seria responsável pela supervisão de dezenas de pacientes.
Na nota, o CRM-MT também reforçou que pacientes e familiares podem consultar a regularidade de estabelecimentos de saúde por meio do sistema nacional de busca disponibilizado pelo Conselho.
O caso segue sob investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que apura as circunstâncias da morte e as condições de funcionamento da clínica.
Entenda o caso
O paciente identificado por Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, foi encontrado morto na manhã deste domingo (31) dentro de uma clínica terapêutica chamada Pró Vida, no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá. O caso, inicialmente comunicado às autoridades como um suposto suicídio por enforcamento, passou a ser tratado como homicídio.
A Polícia Civil foi acionada, após funcionários da clínica informarem que o paciente havia sido encontrado sem sinais vitais em um dos quartos da instituição.
Segundo relatos colhidos no local, Alessandro realizava tratamento para esquizofrenia e teria apresentado um surto psicótico no dia anterior. Diante da situação, teria sido submetido à contenção física e medicado com remédios controlados. Testemunhas relataram aos investigadores que as mãos da vítima chegaram a ser amarradas durante o procedimento e que ele só foi desamarrado após demonstrar comportamento considerado colaborativo.
A versão inicial apresentada aos policiais era de que o paciente teria tirado a própria vida. Durante a análise da cena, o perito criminal identificou divergências entre os vestígios encontrados e os relatos fornecidos pelos responsáveis da unidade.
As informações não batiam, e levaram as equipes a descartarem a hipótese inicial de suicídio e a adotarem uma linha investigativa de homicídio. Durante as diligências realizadas ainda na clínica, Odiley Rodrigues de Souza, apontado como um dos responsáveis pelo funcionamento do estabelecimento, recebeu voz de prisão e foi conduzido à delegacia.
Além da investigação sobre a morte, as equipes identificaram uma série de possíveis irregularidades na clínica. Entre elas, internos desempenhando funções de cuidado e monitoramento de outros pacientes, inclusive pessoas com transtornos psiquiátricos sendo responsáveis por outros internos. A direção da unidade também não compareceu ao local durante o atendimento da ocorrência.
A Polícia Civil está investigando o caso.





















