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DIGNIDADE RESGATADA

Aos 78 anos, idosa obtém primeiros documentos e passa a existir oficialmente para o Estado em MT

Emissão da documentação de Sara Cespedes envolveu rede de serviços durante a “Expedição Justiça Sem Fronteiras”, em Porto Esperidião-MT
Josi Dias/TJMT

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Após quase oito décadas vivendo sem qualquer documento civil, a idosa Sara Eguez Cespedes, de 78 anos, conquistou pela primeira vez o reconhecimento oficial como cidadã brasileira. O caso foi solucionado durante uma força-tarefa realizada na região de fronteira entre Brasil e Bolívia, no município de Porto Esperidião.

Moradora de uma comunidade boliviana localizada a cerca de 20 quilômetros do distrito de Vila Picada, Sara enfrentou durante toda a vida dificuldades causadas pela ausência de documentação. Sem registro de nascimento, ela não possuía CPF, carteira de identidade ou acesso a programas sociais e benefícios públicos.

A situação se tornou ainda mais delicada após a morte da nora, quando a idosa assumiu os cuidados de três netos. Diante das dificuldades enfrentadas pela família, o caso chegou ao conhecimento da Defensoria Pública de Mato Grosso, que articulou uma rede de atendimento para regularizar a situação.

O processo foi realizado durante a segunda edição da Expedição Justiça Sem Fronteiras. Em audiência de reconhecimento tardio de nascimento, testemunhas da comunidade, além do irmão e da cunhada da idosa, confirmaram informações sobre sua origem e identidade. Após a análise dos relatos, a Justiça autorizou o registro civil.

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A defensora pública Corina Pissato, que acompanhou o caso, destacou a emoção vivida durante o atendimento.

“Foi muito emocionante. A Defensoria fez a ação de reconhecimento tardio. Na hora, o juiz já fez a instrução. Ouvimos o irmão e a cunhada dela, mais duas testemunhas da comunidade, para confirmar a data e o local de nascimento. Na sequência, já foi emitida a certidão dela, além do RG e do CPF. Foi bem comovente, pois ela levou depois os netos, duas meninas e um menino. Ela estava toda feliz na hora de ir embora”, relatou.

Com a decisão judicial, Sara recebeu a certidão de nascimento e iniciou a emissão dos demais documentos. Também foi encaminhada para inscrição no Cadastro Único (CadÚnico), passo importante para o acesso a programas sociais do governo federal.

O irmão da idosa, Rufino Eguez Cespedes, contou que a conquista representa a realização de um desejo antigo.

“Ela sempre quis ter os documentos, mas não podia sair de casa porque cuida das crianças e não tinha quem ficasse com elas. Então, eu e minha esposa fomos buscá-la. Agora vai ficar muito contente”, afirmou.

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A regularização da documentação abre caminho para que Sara tenha acesso a direitos básicos e benefícios sociais. Entre eles está o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), destinado a idosos em situação de vulnerabilidade econômica.

Emocionada, a idosa celebrou o momento que aguardou durante toda a vida.

“Estou muito feliz com tudo isso. Agradeço a Deus e a todas as pessoas que estão me ajudando. Estou feliz por conseguir resolver minha situação”, declarou.

A expectativa é que a documentação garanta mais segurança, dignidade e melhores condições de vida para Sara e os três netos que hoje dependem dela. Além do reconhecimento oficial como cidadã brasileira, a conquista representa o acesso a direitos que, até agora, estavam fora de seu alcance.

Com informações Defensoria Pública de MT

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