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AGRONEGÓCIO

Evento em Cuiabá reúne mais de 500 pessoas no primeiro dia do “Elas no Campo”

Painéis sobre liderança feminina, sucessão familiar e economia global marcaram a programação; segunda parte acontece nesta quinta-feira (18)

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A principal mensagem de superação e liderança do evento veio de Sarita Rodas, responsável por conduzir um dos maiores grupos familiares de produção de laranja do país. Ela abriu uma programação marcada por histórias reais e análises sobre o futuro da economia mundial.

O primeiro dia do Encontro Elas no Campo reuniu mais de 500 participantes no Cenarium Rural, em Cuiabá. O evento trouxe ao palco conteúdos voltados à liderança, sucessão familiar, governança, reforma tributária, inovação e cenário econômico global. O segundo dia de programação acontece nesta quinta-feira (18), até as 19h.

Sarita Rodas é CEO e sócia do Grupo Junqueira Rodas. A empresa cultiva cerca de 15 mil hectares de laranja e atua também na produção de cana-de-açúcar e pecuária nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Ela assumiu a gestão do grupo após a perda do pai e da irmã mais velha em um curto intervalo de tempo. A empresária emocionou o público ao relatar sua experiência de liderança diante dos desafios.

“Primeiro, precisamos acreditar que é possível. Depois, enfrentamos todas as dificuldades que encontrarmos no caminho, com um sorriso no rosto e a certeza de que somos capazes de superá-las”, afirmou.

O Grupo Junqueira Rodas também possui uma empresa comercializadora de frutas. Além disso, é responsável pela colheita de 100% da produção de seus fornecedores. Atualmente, mantém cerca de 550 funcionários fixos. Durante a safra da laranja, entre junho e fevereiro, chega a empregar entre 3.800 e 4.000 trabalhadores.

Para Sarita, a busca constante por conhecimento é um dos fatores que permite às mulheres ocuparem espaços de liderança e superarem adversidades.

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“A minha história é uma prova de que as adversidades do dia a dia, às vezes, tentam nos desviar do caminho da confiança. Mas tenho certeza de que todas as mulheres que estão aqui já tomaram a primeira decisão para que isso dê certo: a decisão de buscar conhecimento. Com conhecimento, conseguimos vencer desafios e alcançar nossos objetivos, seja trabalhando na empresa da família, em uma empresa de terceiros ou onde for, porque o lugar da mulher é onde ela decide estar”, destacou.

Agro brasileiro no centro da geopolítica mundial

Além dos cases de gestão e sucessão familiar, o evento abriu espaço para uma análise aprofundada sobre as transformações da economia global e seus reflexos no agronegócio brasileiro. O economista e diplomata Marcos Troyjo destacou que a influência da geopolítica sobre a produção agropecuária nacional será cada vez mais intensa nos próximos anos.

“O Brasil vai perder alguns competidores para alguns mercados. Haverá uma resistência cada vez maior, por parte dos mercados asiáticos, aos produtos agropecuários exportados pelos Estados Unidos. O único país que tem capacidade de substituir essa oferta, com velocidade, escala e qualidade, é o agro brasileiro”, analisou.

No entanto, o especialista fez ressalvas. Segundo ele, o Brasil precisa ficar atento ao ambiente de negócios dos outros países.

“Às vezes, temos uma carga tributária muito alta, um custo de capital elevado e crédito caro. Enquanto isso, outros países estão reduzindo impostos e facilitando investimentos por meio de taxas de juros mais baixas, não apenas porque são agrícolas, mas porque entendem que a segurança alimentar está no centro da mesa geopolítica mundial”, destacou.

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No cenário macroeconômico, Troyjo apontou que o aumento da população mundial vai demandar uma produção maior de alimentos. A estimativa é que, até 2050, a população global passe de 8 para 10 bilhões de pessoas.

“Produção de proteína animal, produção de soja, produção de frutas, produção de grãos e leguminosas. Parece-me que uma parte importante desse crescimento populacional também será consumidora daquilo que o Brasil faz de melhor”, afirmou.

Emoção e propósito na abertura

O primeiro dia do Elas no Campo também foi marcado por momentos emocionantes, que arrancaram sorrisos e aplausos da plateia. Na abertura, a CEO do Grupo Valure, Lorena Lacerda, idealizadora e realizadora do evento, emocionou-se ao agradecer à mãe, presente no evento, e ao pai, Whady Lacerda, falecido há menos de dois meses.

Whady Lacerda deixou um vasto legado comunitário. Foi sócio-fundador e presidente do Lions Clube Cuiabá Visão Solidária, além de presidente do Instituto Lions da Visão. A organização é voltada ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo consultas e cirurgias oftalmológicas.

Lorena ressaltou que, apesar de este ser um ano desafiador para o agronegócio — especialmente em razão dos custos de produção —, decidiu manter a realização do evento, que chega à sua sexta edição.

“Mesmo em um ano difícil, seguimos juntas e seguimos em frente. Sinto isso como um voto de confiança. As empresas e vocês que estão aqui escolheram investir, escolheram não abrir mão de crescer, mesmo em meio às dificuldades. E isso é algo que merece ser celebrado”, comemorou.

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