As eleições de 2026 produziram um resultado incomum na política de Mato Grosso: quatro famílias tradicionais — Riva, Campos, Fávaro e Pinheiro — chegam à próxima legislatura sem um integrante eleito diretamente para um mandato. Os resultados deste domingo (4) tiraram nomes desses grupos da Assembleia Legislativa, do Senado e da Câmara dos Deputados.
O revés ocorreu em diferentes disputas. Janaina Riva (MDB) perdeu a eleição para o Senado, enquanto a irmã, Jéssica Riva (MDB), não conseguiu uma cadeira na Assembleia. Carlos Fávaro (PSD) também ficou fora do Senado, e a filha, Rafaela Fávaro (PSD), não foi eleita deputada estadual. Entre os Campos, Júlio Campos (União) não conseguiu a reeleição para a Assembleia, enquanto Jayme Campos não disputou o Senado. Já Emanuelzinho (PSD), da família Pinheiro, não renovou o mandato de deputado federal.
Riva perde Senado e Assembleia
A família Riva enfrentou derrotas nas duas frentes em que disputava espaço. Janaina, que havia sido eleita deputada estadual por três vezes e chegado à Assembleia como uma das principais votadas do Estado, decidiu deixar a disputa proporcional para tentar uma das duas vagas ao Senado.
Nas urnas, porém, terminou em terceiro lugar, com 519.434 votos (14,53%), atrás dos eleitos Mauro Mendes (União) e Zé Medeiros (PL).
A tentativa de manter um Riva na Assembleia também não deu resultado. Jéssica Riva ficou fora das 24 cadeiras, com 18.877 votos na apuração divulgada durante o processo de totalização.
Com isso, a próxima composição da Assembleia não terá nenhum integrante da família Riva, encerrando uma presença que ganhou força na Casa a partir da trajetória de José Riva e posteriormente passou para a filha Janaina.
Campos ficam sem mandato
Outro sobrenome tradicional que perde representação direta é Campos.
Júlio Campos, que havia retornado à Assembleia em 2023, tentou a reeleição, mas não conseguiu uma das 24 cadeiras. Na apuração, ficou fora da faixa de eleitos, com pouco mais de 14 mil votos na atualização final consultada.
O resultado ocorre depois de o irmão, Jayme Campos, decidir não disputar novamente o Senado. O ex-governador e ex-senador chegou a avaliar uma candidatura ao Governo de Mato Grosso, mas acabou fora da disputa após a definição interna do União Brasil.
Com a saída de Júlio da Assembleia e o encerramento do mandato de Jayme no Senado, a família Campos também fica sem representação parlamentar eleita para 2027. (Oliveira)
Fávaro perde o Senado e filha fica fora da Assembleia
A derrota também atingiu a família Fávaro em duas frentes.
Carlos Fávaro, senador desde 2020 e ex-ministro da Agricultura, tentou renovar o mandato, mas terminou em quarto lugar, com 411.020 votos (11,50%). As duas vagas ficaram com Mauro Mendes e Zé Medeiros.
A filha do senador, Rafaela Fávaro, também disputou uma cadeira na Assembleia, mas não conseguiu se eleger. Ela recebeu menos de 10 mil votos e ficou fora das 24 vagas.
O resultado deixa a família sem mandato eletivo direto a partir de 2027.
Pinheiro perde espaço na Câmara
Na família Pinheiro, o resultado negativo ficou concentrado na disputa para deputado federal. Emanuelzinho (PSD), filho do ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro, tentou conquistar o terceiro mandato consecutivo na Câmara dos Deputados, mas não conseguiu uma das oito vagas de Mato Grosso.
Com isso, o grupo familiar deixa de ter representação direta no Congresso Nacional a partir de 2027.
Emanuelzinho havia chegado à Câmara pela primeira vez em 2018, aos 23 anos, e conquistado a reeleição em 2022. O pai, Emanuel Pinheiro, também construiu trajetória política em Mato Grosso, com passagens pela Assembleia Legislativa e pela Prefeitura de Cuiabá.
Um novo desenho político
A saída simultânea desses sobrenomes não significa que as famílias deixaram de ter influência política ou que seus grupos desapareceram. O resultado das urnas, no entanto, muda a presença direta delas nos principais espaços eletivos do Estado.
A partir de 2027, Riva, Campos, Fávaro e Pinheiro não terão representantes eleitos ocupando cadeiras na Assembleia Legislativa, Senado ou Câmara Federal, depois de décadas de presença em diferentes níveis de poder.
O resultado também aparece em um cenário de renovação da composição política de Mato Grosso, com novos nomes assumindo cadeiras e antigos ocupantes ficando fora das disputas que participaram. Na Assembleia, por exemplo, Jéssica Riva e Júlio Campos aparecem entre os candidatos que não alcançaram as 24 vagas.
A fotografia deixada pelas urnas, portanto, é de uma interrupção na representação eleitoral direta dessas quatro famílias tradicionais, sem que isso permita concluir, por si só, qual será o papel político que esses grupos terão nos próximos anos.

















