O senador eleito José Medeiros (PL) afirmou nesta segunda-feira (5) que o áudio em que aparece dizendo que seu eleitor “bebe detergente e reza pra ET” foi recortado para dar a impressão de que ele debochava dos próprios apoiadores. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Morning Show, da Jovem Pan.
Medeiros, eleito por Mato Grosso com 977.777 votos, confirmou a autoria da gravação e revelou que a mensagem havia sido enviada a Chico Mendes (União), prefeito de Diamantino e irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.
“Primeiro que o áudio foi cortado, recortado, editado, e aí ficou parecendo que eu estava zombando dos eleitores, né? Mas longe disso”, declarou.
Segundo Medeiros, a conversa ocorreu em meio a divergências envolvendo a disputa pelo Senado e a candidatura de Janaína Riva (MDB). Ele alegou que havia preferência da família de Gilmar Mendes pela então adversária e afirmou ter recebido relatos de que poderia ser alvo de uma operação destinada a desgastar sua candidatura.
“A gente começou a sentir uma pressão muito grande aqui. Inclusive, pessoas falando o seguinte: olha, a candidata falou que o ministro vai fazer uma operação aí para te desgastar”, disse.
O senador eleito afirmou que chegou a procurar Gilmar Mendes para tratar do assunto e que o ministro teria negado qualquer movimentação contra ele. Medeiros também relatou ter procurado Chico Mendes na tentativa de reduzir a tensão política.
Foi nessa conversa, segundo sua versão, que surgiu a declaração posteriormente vazada. Ao explicar ao prefeito as diferenças entre seu eleitorado e o perfil político de Janaína, Medeiros fez a referência que acabou repercutindo durante a campanha.
“O meu eleitor, cara, é aquele eleitor que é ou isso ou aquilo. É faca na caveira”, disse ao relembrar o contexto da conversa.
Medeiros sustenta que o trecho divulgado ao público foi retirado de uma conversa mais ampla. Apesar de confirmar que enviou o material a Chico Mendes, afirmou não acreditar que o prefeito tenha sido responsável por torná-lo público.
“Esse áudio mesmo meu aí, não tenho dúvida, eu mandei pro irmão do ministro e eu tenho certeza que não foi ele que vazou pra imprensa. Como é que esse áudio chegou e foi parar, provavelmente, na mão da minha adversária e ser todo recortado?”, questionou.
Durante a entrevista, Medeiros também associou a turbulência política daquele período a decisões judiciais que afetaram sua campanha. Ele citou a redistribuição do tempo de propaganda eleitoral entre os candidatos da coligação e decisões do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) envolvendo seus perfis nas redes sociais.
Ao comentar a atuação do Judiciário nas eleições, o senador eleito subiu o tom contra integrantes do Supremo e acusou ministros da Corte de interferirem na disputa. As afirmações representam a avaliação de Medeiros sobre os acontecimentos.
“Eles foram os grandes protagonistas dessa eleição, sendo que devia ser o eleitor”, declarou.
Com a eleição encerrada, Medeiros afirmou que pretende levar o confronto político para o Senado. Ao ser questionado sobre a nova composição da Casa, defendeu que pedidos de impeachment contra ministros do Supremo avancem já no início do próximo mandato.
“Antes do Carnaval, se possível, Alexandre fora. Depois do Carnaval, Flávio Dino e Gilmar costeando o alambrado do impeachment”, afirmo

















