O senador eleito por Mato Grosso José Medeiros (PL), que recebeu 977.777 votos, afirmou nesta segunda-feira (5) que o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) deve ser a primeira pauta do novo Senado. A declaração foi dada em entrevista ao programa Morning Show, da Jovem Pan.
Só o partido dele, o PL, elegeu 19 novos senadores, chegando a 28 parlamentares, a maior bancada do Senado. Questionado se essa nova composição já seria suficiente para trazer equilíbrio entre os Poderes ou se seria necessário levar a pauta adiante, Medeiros foi direto e citou nominalmente os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes.
“Bom, antes do Carnaval, se possível, Alexandre fora. Depois do Carnaval, Flávio Dino e Gilmar costeando o alambrado do impeachment”, afirmou.
Críticas a Alexandre de Moraes
Na sequência, o senador eleito relacionou a crítica a episódios da própria campanha em Mato Grosso. Segundo ele, no dia seguinte a um embate com Alexandre de Moraes, teve o tempo de propaganda eleitoral reduzido e passou a sofrer restrições impostas pela Justiça Eleitoral.
“O Alexandre, inclusive, pediu a prisão dele durante esse episódio aí, porque ele estava fazendo coação no curso do processo. E, coincidentemente, no outro dia, ele tirou metade do meu tempo aqui no Mato Grosso e eu fiquei proibido de falar aqui pelo TRE. Minhas redes foram tiradas do ar, porque eu disse que eles tinham interferido na eleição aqui”, declarou.
Durante a campanha, uma decisão do STF redistribuiu o tempo de propaganda eleitoral da coligação, que antes destinava cerca de 60% a Medeiros e 40% a Janaína Riva (MDB), passando para divisão igualitária entre os dois candidatos. O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) também determinou a suspensão dos perfis de Medeiros nas redes sociais até o fim do primeiro turno.
“Eles jogam sujo”
Medeiros afirmou que os ministros do STF assumiram prerrogativas que seriam do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e se tornaram protagonistas do processo eleitoral.
“Eles tomaram as prerrogativas do TSE, eles invadiram, eles foram os grandes protagonistas dessa eleição, sendo que devia ser o eleitor, né? Então, assim, não dá, não dá pra conviver com esses caras, eles realmente jogam sujo”, disse.
O áudio vazado
O senador eleito também comentou o vazamento de um áudio enviado por ele ao prefeito de Diamantino, Chico Mendes, irmão do ministro Gilmar Mendes. Na gravação, Medeiros afirma que seu eleitor “bebe detergente e reza pra ET”. Segundo ele, o áudio acabou chegando, de forma recortada, às mãos de uma adversária.
“Esse áudio mesmo meu aí, não tenho dúvida, eu mandei pro irmão do ministro e eu tenho certeza que não foi ele que vazou pra imprensa. Como é que esse áudio chegou e foi parar, provavelmente, na mão da minha adversária e ser todo recortado? Então não dá pra conviver com um juiz apitando o jogo e marcando o gol pro adversário”, concluiu.

















