A vereadora Baixinha Giraldelli (SD) elevou o tom das críticas contra a concessionária Águas Cuiabá nesta terça-feira (12), ao denunciar a falta de cobertura de esgotamento sanitário em grande parte da região do Coxipó, em Cuiabá. Em entrevista, a parlamentar afirmou que o cenário revela um “grave descaso” com bairros da região sul da Capital e cobrou uma revisão urgente do contrato firmado entre a Prefeitura e a empresa responsável pelos serviços de água e esgoto.
Segundo a vereadora, aproximadamente 90% da região sul de Cuiabá ainda não possui tratamento de esgoto, situação que, conforme ela, compromete diretamente a saúde pública, a preservação ambiental e a qualidade de vida da população.
“Queria deixar claro para toda a população cuiabana: 90% da região sul não tem esgoto dentro de Cuiabá”, afirmou a parlamentar ao destacar que diversos bairros seguem sem atendimento básico de saneamento, mesmo após anos de concessão do serviço.
Baixinha argumentou que o atual contrato firmado com a concessionária precisa passar por reformulação ou receber um aditivo que contemple os bairros excluídos do planejamento inicial. Para ela, houve falhas históricas na definição das áreas prioritárias de investimento.
“Isso se resolveria com um novo contrato que teria de ser feito com a prefeitura. Tem bairros e até distritos sem esgoto, e tudo acaba indo para o rio e afetando o meio ambiente”, declarou.
Durante a entrevista, a vereadora criticou a concentração de investimentos em determinadas regiões da cidade enquanto comunidades inteiras permanecem sem acesso à coleta e tratamento de esgoto. Segundo ela, a realidade enfrentada pelos moradores do Coxipó contrasta com o discurso de avanço do saneamento em Cuiabá.
“Não adianta fazer boniteza na beira do córrego onde 90% não tem esgoto. Só na região do Coxipó são cerca de 28 bairros sem atendimento adequado”, disparou.
A parlamentar também apontou problemas em localidades onde a rede já foi implantada, mas os imóveis ainda não foram efetivamente conectados ao sistema.
“Alguns bairros que têm tratamento de esgoto não estão ligados diretamente na rede. Isso daí é um absurdo”, criticou.
Outro ponto defendido pela vereadora foi o acesso à água tratada em bairros considerados irregulares. Baixinha afirmou que a ausência de regularização fundiária não pode servir como justificativa para negar serviços essenciais à população.
“Não precisa regularizar para mandar água. Isso é problema de saúde, é dignidade para as pessoas”, afirmou.
Ao comentar a atuação da concessionária, a vereadora reconheceu que a empresa teria cumprido metas previstas no contrato original, mas alegou que o documento não estabelecia de forma clara a universalização do saneamento em todos os bairros da Capital. Segundo ela, essa brecha permitiu que determinadas regiões fossem deixadas de lado ao longo dos anos.
“No contrato antigo não dizia exatamente onde deveria ser feito o esgoto. Então escolheram o que quiseram”, declarou.
Baixinha ainda contestou qualquer discurso de universalização do saneamento em Cuiabá e afirmou que a realidade encontrada nos bairros demonstra o contrário.
“Não dá para dizer que Cuiabá tem serviço de esgoto universalizado. Se a empresa disser isso, está mentindo”, afirmou.
A vereadora informou que está reunindo mapas, levantamentos técnicos e dados sobre bairros sem cobertura de água e esgoto para apresentar um diagnóstico completo da situação. Ela também defendeu a participação da bancada federal de Mato Grosso no envio de recursos para ampliar os investimentos em saneamento sem aumento na tarifa cobrada da população.
“Tem jeito de resolver sem jogar esse custo para a população. Os deputados federais e senadores podem mandar recursos para garantir dignidade às pessoas”, disse.


















