O Governo de Mato Grosso homologou a situação de emergência decretada pela Prefeitura de Várzea Grande em razão da estiagem, das altas temperaturas e da baixa umidade relativa do ar. A medida foi oficializada por meio do Decreto Estadual nº 2.233, de 27 de agosto de 2026, publicado nesta sexta-feira (28) no Diário Oficial do Estado.
A decisão reconhece, no âmbito estadual, a situação enfrentada pelo município e permite a adoção de medidas emergenciais para reduzir os impactos provocados pelas condições climáticas, especialmente sobre o sistema de abastecimento de água. O decreto terá validade de 90 dias ininterruptos, contados a partir da caracterização do desastre, com possibilidade de prorrogação por igual período.
A situação de emergência havia sido decretada pela Prefeitura de Várzea Grande em 30 de julho, por meio do Decreto Municipal nº 76/2026. A medida foi tomada após uma vistoria técnica realizada pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil na Estação de Tratamento de Água (ETA), localizada na Avenida Júlio Campos, depois de registros de desabastecimento em diferentes regiões da cidade.
Segundo o relatório técnico que fundamentou a decisão municipal, o problema não está relacionado à falta de água no Rio Cuiabá, que ainda apresenta volume considerado suficiente para a captação. A principal preocupação está nas limitações estruturais e operacionais do sistema de abastecimento, que não consegue acompanhar o aumento da demanda provocado pelo período de estiagem e pelas condições climáticas extremas.
O cenário é agravado pela combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e prolongamento do período seco. Conforme a Prefeitura, essas condições aumentam o consumo de água justamente em um momento em que o sistema opera com menor capacidade de resposta. A administração municipal também relaciona a intensificação da estiagem à atuação do fenômeno El Niño.
A preocupação com o calor não se restringe ao abastecimento. Em agosto, Várzea Grande registrou períodos de temperaturas próximas dos 38°C, acompanhados de índices de umidade relativa do ar que chegaram a patamares inferiores a 20%. A Defesa Civil municipal alertou para o aumento do risco de desidratação, agravamento de problemas respiratórios e ocorrência de incêndios em áreas de vegetação.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também mostram que Mato Grosso esteve entre as áreas do país afetadas por massas de ar quente e seco durante o mês de agosto. O órgão registrou temperaturas acima de 40°C em municípios da região central do Brasil e destacou a ocorrência de baixos índices de umidade, especialmente no Centro-Oeste.
Em Várzea Grande, a Defesa Civil orienta a população a aumentar a ingestão de água, evitar atividades físicas nos horários de maior calor e reduzir a exposição direta ao sol. Também há recomendação para que moradores não realizem queimadas ou utilizem fogo em terrenos e áreas de vegetação, devido ao risco elevado de incêndios durante o período seco.
Com a homologação estadual, o município passa a contar com o reconhecimento formal do Governo de Mato Grosso sobre a situação de emergência. A medida também abre caminho para que a administração municipal busque apoio e recursos destinados às ações de enfrentamento dos efeitos da estiagem e à redução dos riscos relacionados ao abastecimento.
A Defesa Civil municipal informou que continuará monitorando as condições do sistema de abastecimento e a evolução da estiagem. Os órgãos municipais também deverão identificar as populações mais vulneráveis e as unidades públicas que podem ser afetadas, além de elaborar medidas emergenciais para reduzir os impactos do período de seca.



















