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CARLINHOS BEZERRA

Ex de advogada buscou ajuda de cigana para reconquistar vítima dias antes de executá-la

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O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, de 58 anos, procurou uma mulher que se apresentava como cigana para tentar reatar o relacionamento com a advogada Thays Machado apenas oito dias antes de assassiná-la ao lado do companheiro, Willian Cesar Moreno, em Cuiabá. As mensagens, anexadas ao processo criminal, mostram que ele buscava uma resposta sobre a possibilidade de reconciliação e chegaram a público no mesmo dia em que seria julgado pelo Tribunal do Júri.

Nas conversas, registradas em 10 de janeiro de 2023, Carlos Alberto afirma que queria falar exclusivamente sobre sua vida amorosa e pergunta se voltaria a ter um relacionamento com Thays. Para a consulta espiritual, ele informa o nome completo e a data de nascimento da advogada.

A mulher oferece um ritual conhecido como “harmonização”, prática espiritual que, segundo a crença, teria como objetivo fortalecer vínculos afetivos e promover a reconciliação entre casais.

O conteúdo das mensagens revela que o empresário ainda tentava encontrar uma forma de reatar o relacionamento, encerrado por Thays meses antes do crime.

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O desfecho ocorreu oito dias depois. Em 18 de janeiro de 2023, Carlos Alberto perseguiu Thays Machado e o então companheiro dela, Willian Cesar Moreno, e efetuou diversos disparos contra o casal. Os dois morreram ainda no local. Conforme a acusação, o crime foi motivado pela inconformidade do empresário com o fim do relacionamento.

Carlos Alberto responde por feminicídio contra Thays e homicídio qualificado pela morte de Willian.

Julgamento adiado

As mensagens vieram à tona justamente no dia em que o empresário seria submetido ao Tribunal do Júri. No entanto, a sessão foi adiada após os advogados de defesa abandonarem o plenário depois que a juíza Monica Catarina Perri Siqueira negou um novo pedido de adiamento.

Ao rejeitar o requerimento, a magistrada afirmou que a defesa teve tempo suficiente para analisar o processo e que os documentos apontados como novidade já integravam os autos. Ela também ressaltou que a troca de advogados não suspende o andamento da ação.

O júri foi remarcado para o dia 31 de julho, às 9h. Caso a defesa não constitua um novo advogado até a data, a Defensoria Pública assumirá a representação do réu.

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O Ministério Público criticou a postura da defesa. O promotor Vinicius Gahyva Martins afirmou que o abandono da sessão teve o objetivo de retardar o julgamento e prejudicou toda a estrutura montada para o Tribunal do Júri, que contava com familiares e pessoas que viajaram de outros estados para acompanhar o caso.

A promotora Élide Manzini de Campos também classificou o novo pedido de adiamento como uma manobra protelatória, lembrando que o julgamento já havia sido remarcado anteriormente a pedido da própria defesa.

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