A morte do cabeleireiro Eryvelton Gomes, de 34 anos, após uma grave reação alérgica provocada, possivelmente, pelo consumo de caranguejo em uma praia de Maceió (AL), acendeu o alerta sobre a importância da aplicação imediata de adrenalina em casos de anafilaxia, reação alérgica intensa e potencialmente fatal.
Em entrevista ao site 24 Horas MT, o esposo da vítima, Lucas Gabriel Cerqueira, de 27 anos, revelou que Eryvelton era asmático e começou a apresentar dificuldade para respirar poucos minutos após comer o crustáceo. Segundo ele, socorristas que prestaram os primeiros atendimentos chegaram a mencionar a necessidade de adrenalina, mas o medicamento não estava disponível no local.
“Estavam tentando reanimá-lo, usando oxigênio, e falaram que precisava de adrenalina, mas não tinham preparo para aplicar”, relatou Lucas.
A médica alergista e imunologista Ana Carolina Santos, diretora da Associação Mato-grossense de Alergia e Imunologia (ASBAI), explicou que a adrenalina é considerada o único medicamento capaz de reverter rapidamente os efeitos mais graves da anafilaxia.
“A adrenalina é o único remédio capaz de reverter o choque, os efeitos cardíacos e o edema de glote que leva à morte nos casos de anafilaxia”, afirmou.
Segundo a especialista, a anafilaxia pode evoluir de maneira extremamente rápida, muitas vezes sem dar tempo para que o paciente chegue ao hospital.
“A alergia alimentar pode ser muito grave, levando inclusive à morte. Ela pode se manifestar com anafilaxia, que ocorre de forma muito rápida e muito grave. Nem sempre é possível chegar a um atendimento para tomar a medicação adequada”, explicou.
No caso de Eryvelton, Lucas contou que o companheiro começou a sentir a garganta coçar e, logo depois, apresentou falta de ar intensa. O cabeleireiro utilizava bombinha para controlar a asma e havia usado o medicamento algumas vezes durante a viagem.
Para a médica, pessoas que já possuem histórico de alergias ou crises graves precisam de acompanhamento especializado para identificar os alimentos de risco e possíveis reações cruzadas.
“No caso dos crustáceos, por exemplo, uma pessoa que tem alergia a camarão também pode desenvolver reação ao caranguejo, lagosta e outros alimentos da mesma família”, explicou Ana Carolina.
A especialista destacou ainda que não existe medicação preventiva capaz de permitir que uma pessoa alérgica consuma determinado alimento sem riscos.
“Não existe tomar um remédio antes e comer aquilo que causa alergia para evitar a reação. O mais importante é identificar exatamente quais alimentos devem ser evitados”, pontuou.
Além disso, ela reforçou que pacientes com histórico de anafilaxia precisam portar adrenalina autoinjetável para uso emergencial.
“Toda pessoa que tem risco de anafilaxia precisa andar com adrenalina autoinjetável. Saber reconhecer uma crise grave e agir rapidamente é fundamental para evitar fatalidades”, alertou.
A tragédia também levantou questionamentos sobre a estrutura de atendimento em locais turísticos. Lucas afirmou acreditar que os socorristas presentes na praia tentaram ajudar da forma possível, mas criticou a ausência de profissionais preparados para administrar a medicação de emergência.
“Em uma praia tão movimentada, deveria ter uma equipe médica preparada para esse tipo de situação”, desabafou.
Eryvelton chegou a ser levado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu. Conforme relato do esposo, os médicos informaram que a morte ocorreu em decorrência de insuficiência respiratória causada pela obstrução das vias aéreas após a reação alérgica.



















