Nos últimos anos, a presença de veículos elétricos no Brasil cresceu de forma consistente. Em 2025, o mercado bateu novo recorde, com 223.912 veículos eletrificados leves vendidos, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O volume representa alta de 26% em relação a 2024, quando foram comercializadas 177.358 unidades.
O ritmo de expansão supera com folga o do próprio setor automotivo. Enquanto as vendas de veículos leves cresceram 2,6% entre 2024 e 2025, os eletrificados avançaram dez vezes mais. Na prática, isso confirma a aceleração da transição para tecnologias mais sustentáveis no país.
Mesmo com esse avanço, muita gente ainda tem dúvidas antes de comprar um carro elétrico ou híbrido. A principal delas envolve o carregamento das baterias, sobretudo o tempo necessário para a recarga.
Nos carregadores ultrarrápidos, por exemplo, é possível levar a bateria de 20% para 80% em cerca de 30 a 40 minutos. Já nos carregadores domésticos, o processo pode durar até 12 horas, a depender do modelo do veículo e da potência do equipamento.
Outra dúvida comum está na instalação do carregador em casa. E aí mora o ponto que não aceita gambiarra.
“Se forem observados alguns cuidados, principalmente as orientações dos fabricantes, os riscos são mínimos”, afirma Elisangela Castellano, coordenadora de Saúde e Segurança da Energisa Mato Grosso.
Segundo ela, usar equipamentos de qualidade e contar com um profissional capacitado são etapas fundamentais para garantir segurança durante a instalação e o uso.
“Uma possível adaptação na residência pode ser necessária e sempre deve ser feita por um profissional. O aterramento é fundamental, assim como o uso de fiação compatível. Caso seja necessário utilizar extensões, elas devem ser próprias para essa finalidade. Além disso, é essencial seguir sempre o manual de instruções do fabricante”, explica.
Avaliação da rede elétrica é o primeiro passo
A instalação de um carregador de veículo elétrico deve ser feita por eletricista ou engenheiro habilitado. Esse profissional é quem vai avaliar a capacidade da instalação elétrica do imóvel, o dimensionamento dos cabos, os dispositivos de proteção e o padrão de entrada de energia.
Quando esse processo é feito de forma inadequada, o risco aumenta. Instalações mal dimensionadas podem provocar sobrecarga, aquecimento de cabos e até incêndio.
Antes de instalar o carregador, também é preciso verificar se a residência suporta a nova carga. Dependendo da potência do equipamento, pode ser necessário reforçar o circuito elétrico, instalar disjuntores específicos e adequar o quadro de distribuição.
Em alguns casos, o consumidor também pode precisar solicitar aumento de carga junto à distribuidora. De acordo com a norma NDU 042, ainda é importante checar se a carga instalada da unidade consumidora e o padrão de entrada estão adequados para atender o carregador com segurança e qualidade no fornecimento de energia.
Equipamento certificado reduz riscos
Outro ponto essencial é usar carregadores certificados e compatíveis com as normas técnicas brasileiras. Isso garante mais segurança e desempenho adequado durante o carregamento.
O uso de equipamentos sem certificação pode causar falhas na recarga, risco de choque elétrico e danos à instalação elétrica da residência.
Além disso, a instalação precisa respeitar normas técnicas como a ABNT NBR 5410, a ABNT NBR IEC 61851 e a NDU 042, norma de distribuição da Energisa para conexão de carregadores à rede. Essas regras definem critérios para dimensionamento da instalação, proteção elétrica, aterramento e segurança do sistema de recarga.
Circuito exclusivo e aterramento fazem diferença
Conforme orientações da NDU 042, o carregador do veículo elétrico deve ser ligado, de preferência, em circuito exclusivo, com proteção adequada no quadro de distribuição. Essa medida evita sobrecarga e contribui para um carregamento mais seguro.
A instalação também precisa contar com disjuntores e dispositivos de proteção compatíveis com a potência do carregador, além de um sistema de aterramento adequado. Esses itens são indispensáveis para o funcionamento correto da estrutura e para reduzir riscos de choque elétrico e falhas no equipamento.
Por fim, a Energisa alerta que não é recomendável usar extensões, adaptadores ou improvisos para carregar veículos elétricos. O carregamento deve ser feito em pontos elétricos adequados e projetados para suportar a potência do equipamento, sempre de acordo com as orientações técnicas.
Com os cuidados certos, o carregamento doméstico pode ser feito com segurança e eficiência. No fim das contas, carro elétrico pode até ser silencioso, mas instalação malfeita faz barulho depois.





















